quarta-feira, 13 de julho de 2016

Eu não devia


Fútil


Nuvens

Mesmo se as flores que a colina veste,
amanhã venha o granizo arrasar,
com uma fúria rude e agreste,
o Sol vai continuar a levantar.

Mesmo que faltem-te as forças vitais,
as doenças venham pra te derrubar,
e de melhoras não vejas sinais,
o Sol vai continuar a levantar.

Mesmo que penses estar derrotado,
e as nuvens não queiram se dissipar,
lembre-se: atrás deste tempo nublado,
o Sol vai continuar a levantar.

Breno Sarranheira.





Imagem: rarewallpapers.com

Inevitável


Eis que estas mágoas, tristezas e dores,
são regressadas com seus mil horrores.
Mas mesmo assim eu tentei me conter,
pois não queria as voltar a escrever.


Eis que esta vida não quer me dar paz,
pois toda alegria que tenho é fulgaz.
Mas mesmo assim eu tentei me conter,
pois eu não queria novamente escrever.

Mas ao crescer esta enorme pressão,
não consegui prender meu coração.
Tive que a pena e o caderno reaver,
pros sofrimentos voltar a escrever...

Breno Sarranheira.

Coração roubado

Enquanto estava bastante distraído,
aproveitou-se ela da situação,
e ao dar-me conta, eu já o tinha perdido,
ela roubara, sim meu coração.

Fui procurá-la e quando eu a encontrei,
disse-me assim com um olhar constrangido:
"Juro que quando o levei não pensei
que isto era seu, ou teria devolvido."

"Isto não tem como mais consertar,
ele é só teu e já de mais ninguém.
Só o que me resta agora é me vingar,
por isso eu vou roubar o teu também!"

Breno Sarranheira





Imagem: santoantoniomeajuda.blogspot.com

Quase


Eis que eu estava iniciando o meu dia,
quando disseram: "Levanta, já é hora".
Mas não entendiam quando eu pois lhes dizia:
"Não vale a pena, estou quase indo embora"


Mais tarde vieram também perguntar:
"Por que não vens ver as nuvens cá fora?"
Tive que então novamente explicar:
"Não vale a pena, estou quase indo embora"

Até chegaram mesmo a me indagar:
"Não queres ser tão feliz como outrora?"
e isto foi tudo o que pude falar:
"Não vale a pena, estou quase indo embora"

Breno Sarranheira

Imaginação


Em noites belas de luar majestoso,
Longos passeios nos campos nós damos,
E em seu olhar que é tão meigo e bondoso,
Vejo o mais puro do amor dos humanos.


Enquanto as nuvens no céu vão passando,
Formam imagens de nossos anseios,
Meu coração vai então se inundando,
Só de alegria e sem quaisquer receios.

Eis que tudo isso fazemos nós dois,
Ou pelo menos é o que aos céus eu clamo,
Pois estou sempre a deixar pra depois,
Para dizer-lhe o quanto que eu a amo.

Breno Sarranheira.

Triste


É triste quando nas nossas memórias,
não há registo nem mesmo lembrança,
que nos redima das mágoas inglórias
que há nesta vida, que nos dê esperança.


É triste não ter a quem segredar,
aquilo que vai-te no coração.
Ter de sofrer ver qualquer um amar,
e continuar nesta vil solidão.

Breno Sarranheira.

Passar


Passa o dia,
passa o tempo,
passa o instante,
passa o momento.


Passa a vez,
passa a hora,
passa a chance
e vai-se embora.

Passa o carro,
passa o avião,
passa o amor,
passa a paixão.

Passa tudo nesta vida,
e só disso é que há certeza,
tudo o resto vai passar,
só não passa essa tristeza.

Breno Sarranheira 23-06-2016

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Passarinho

Há muito tempo havia um passarinho,
de canções belas, bem doces e mansas.
Mas o seu canto sombrio e baixinho,
nunca tivera quaisquer esperanças.

Assim seguia o coitado sozinho.
"Sejam benditas as notas que lanças,
que delas possas forrar o teu ninho",
dizia o povo das suas vizinhanças.

Tolos, louvavam as mágoas cantadas,
sem entenderem o seu sentimento,
só pelo modo como eram entoadas.

Tivesse o povo mais um pouco atento,
tinham ouvido as tristezas caladas,
do passarinho, o voraz desalento.

Breno Sarranheira.

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Imagem: etsy.com


Deixar

Deixei de andar pelo parque tão belo,
que a minha infância se lembra em anelo.
De ver museus e também festivais,
que temo não poder ver nunca mais.

Deixei de ter alegria sincera,
não vi crescer flores na Primavera.
De ouvir as aves aquando da aurora.
Tudo o que q'ria, desisti, fui embora.

Deixem-me agora deixar de deixar,
deixem-me agora deixar o que resta,
pois ao deixar tanto em tanto lugar,
já só me fica aquilo que não presta.

Breno Sarranheira.

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Imagem: thewhitethornwitch.com


Tecelão

Desde a alvorada até a noitinha,
sigo tecendo mortalhas de dor,
e pouco a pouco minh'alma definha,
deste trabalho que foram me impor.

Eis que ao notarem aquilo que faço,
vem criticar-me sem dó nem piedade:
"Olha! Ele mesmo concebe seu laço,
e depois quer receber caridade."

Mas o que nem sequer podem pensar,
é que não posso escolher o que teço,
pois só me dão estes fios de pesar,
mesmo sendo de alegria os que peço.

Quando implorei com: "Me deixe fazer
mantas douradas", da Vida eu ouvi:
"Não ouses nunca tentar me reger!
Trabalhas com o que tenho pra ti."

Breno Sarranheira

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Novo vídeo - Máscara

https://www.youtube.com/watch?v=11rmnWgx6v8

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Amigo

Amigo que nestes versos pesados,
fixa o olhar e pondera o sentido,
consegue ouvir o seu choro calado?
Entender meu coração ressentido?

Amiga que nestas linhas passeia,
como quem anda por belo jardim,
será que vê o que minha'alma anseia?
Aquilo que foi roubado de mim?

Amigo que nestas estrofes tão cruas,
com mil defeitos, desfruta agradado,
espero que também tu não te iludas,
de que as escrevo com rosto aplacado.

Amiga que nesta poesia singela,
reflete com mui cuidado e atenção,
pode saber o que digo por ela?
Aquilo que "escondo" nesta canção?

Breno Sarranheira.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Novo vídeo - Sombra



https://www.youtube.com/watch?v=FNIKHpdPluo



Indiferente

Mesmo que todas as bençãos do mundo,
viessem-me agora em rompante levar,
não deixaria meu refúgio profundo,
pois nada mais me consegue encantar.

Mesmo que todas as mágoas da terra,
viessem-me agora em furor derrubar,
não quebraria a cadeia que me encerra,
pois nada mais me consegue amargar.

Eis que me encontro em estado profano,
tudo o que existe perdeu seu valor,
às vezes penso se já estou insano,
pois já não sinto a alegria nem a dor.

Breno Sarranheira.

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Imagem: imgkid.com



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Simples

Eu tentei rimas luxuosas compor,
Usando termos belos, lapidados,
Traçando estradas com muito rigor
E nelas marchar versos aprumados.
Assim eu vi que não fazia sentido,
Melhor declamar com pureza então,
O que vale é o que há no meu coração.


Breno Sarranheira.

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Imagem: satiama.com

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Esperar

Indo em frente no infinito deserto,
Logo vi que nunca estava mais perto,
Uma miragem estava buscando.

Sensato pensei: "Eu vou esperar,
Aos que também por aqui vão trilhar,
Os que em sentido oposto vêm chegando."

Breno Sarranheira.

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Imagem: blocodecotas.wordpress.com


Valor e preço

Hoje em dia, os conceitos de valor e preço são amíude confundidos, embora sejam muitíssimo diferentes, quase que não relacionados.

Preço é o custo monetário para o usufruto de algo, enquanto valor é a importância do algo em si. Uma coisa pode ser comprada pelo mesmo preço por duas pessoas diferentes, e no entanto, possuir valores distintos para cada uma delas. Existe sim um elo entre valor e preço pois geralmente, quanto mais valor algo possuir aos olhos de uma pessoa, maior é o preço que ela está disposta a pagar por isso.

Sou um pouco do "contra" neste aspecto. Sempre tive tendência para dar muito valor a coisas de preço ignóbil, enquanto por outro lado, por vezes não dou o mínimo valor para coisas caríssimas. Por exemplo, agora com vinte anos, ainda uso a mesma carteira de quando tinha onze anos de idade. De fato, minha relação com minha carteira dava uma linda história de amor. Ela é a minha primeira e única, e nunca me passou pela cabeça arranjar outra, apesar dela já estar rasgada em vários pontos. Acho mesmo que se algum dia for assaltado, sou capaz de esvaziar seu conteúdo mas pedir para guardá-la. É uma carteira preta simples de couro, com duas abas de cada lado que dobram para dentro.

Por outro lado, enquanto muitas pessoas gastam autênticas fortunas em calçados, eu nunca o fiz. Apesar de gostar de escolher uma cor e modelo que me agrade, costumo comprar os mais baratos da loja, pois, do meu ponto de vista, não vale a pena gastar muito em algo com o qual mais cedo ou mais tarde vou pisar em "dejetos" de cachorro.

Então e você? Será que está dando o valor devido às coisas importantes da sua vida?

Breno Sarranheira.

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Imagem: linksservice.com


domingo, 14 de dezembro de 2014

Lembro

Lembro de quando eu me maravilhava,
e dentro deste meu peito habitava,
sentimento que tudo pode e alcança,
lembro de quando eu já tive esperança.

Lembro de quando eu muito planejava,
e meu futuro não me preocupava,
pois vivia inocente como uma criança,
lembro de quando eu já tive esperança.

Lembro de quando não me amedrontava,
da vida, pois nela tudo agradava,
e o presente era, todo ele bonança,
lembro de quando eu já tive esperança.

Lembro de quando verazmente achava,
e com verdadeira fé esperava,
de minha situação, uma mudança,
lembro...eu acho...que tive esperança...

Breno Sarranheira.

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Imagem: thelifelist.fr

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